Escrevo para fugir da morte,
para não depender da sorte,
ou do sucesso que alimenta os egos.
Retorno sempre ao papel,
caneta, lápis ou pincel.
Escrevo, desenho ou pinto,
o que me foi dado como destino.
Tento unir o futuro ao passado,
Escrevo para restaurar
os homens fragmentados.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Desconfiada
Sou feita da mesma natureza
De que são feitos os seres desconfiados.
Tenho pele de camaleão
E olhos de coruja,
Caminho apressada pelas ruas.
Não confio em esquinas,
Nem em portas abertas,
Tampouco em coincidências do destino.
Por via das dúvidas,
Dou duas voltas na fechadura.
Certa vez escutei um canto:
Era a canção da bondade humana.
A sereia que encatava
Com sua boca infinita
Os corações devorava.
Não me oriento pela beleza do reflexo,
pela doçura do discurso,
Ou pela fragrância do gesto.
Prefiro ser gato
com olhos bem abertos.
De que são feitos os seres desconfiados.
Tenho pele de camaleão
E olhos de coruja,
Caminho apressada pelas ruas.
Não confio em esquinas,
Nem em portas abertas,
Tampouco em coincidências do destino.
Por via das dúvidas,
Dou duas voltas na fechadura.
Certa vez escutei um canto:
Era a canção da bondade humana.
A sereia que encatava
Com sua boca infinita
Os corações devorava.
Não me oriento pela beleza do reflexo,
pela doçura do discurso,
Ou pela fragrância do gesto.
Prefiro ser gato
com olhos bem abertos.
Rio morto
O cheiro de esgoto deste rio morto
Invade a praça de alimentação.
Onde comerei então?
Que lugar será permitido?
Estaciono meus pensamentos neste edifício.
Muitas camadas de asfalto
São necessárias para afastar o barro
Que, sob meus pés, sangra
As dores das carnificinas
Testemunhadas pelas esquinas.
Sob o fogo do progresso
O homem prometeu o certo,
Criou a águia da economia,
Que devora seu fígado todos os dias.
É meu sangue neste prato de porcelana.
Minha alma vira lama.
Sinto o gosto do esgoto
E me vou com este rio morto.
Invade a praça de alimentação.
Onde comerei então?
Que lugar será permitido?
Estaciono meus pensamentos neste edifício.
Muitas camadas de asfalto
São necessárias para afastar o barro
Que, sob meus pés, sangra
As dores das carnificinas
Testemunhadas pelas esquinas.
Sob o fogo do progresso
O homem prometeu o certo,
Criou a águia da economia,
Que devora seu fígado todos os dias.
É meu sangue neste prato de porcelana.
Minha alma vira lama.
Sinto o gosto do esgoto
E me vou com este rio morto.
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Como dizer o não dito?
O doce na geladeira escondido.
O desejo contido.
O vulto passageiro.
Ou o arrepio dos pelos.
Por isso sonho.
E meu sonho é recheado de caramelo.
Na frialdade do real,
é difícil o amarelo.
É que quando a luz está acesa,
os vapores se dissipam,
os gatos fecham os olhos
e os homens passam.
O desejo contido.
O vulto passageiro.
Ou o arrepio dos pelos.
Por isso sonho.
E meu sonho é recheado de caramelo.
Na frialdade do real,
é difícil o amarelo.
É que quando a luz está acesa,
os vapores se dissipam,
os gatos fecham os olhos
e os homens passam.
Na sala de espera
Todos assistem à TV.
Estou ausente,
ninguém me vê.
É porque não me conhecem
assistem à TV
e envelhecem.
Estou ausente,
ninguém me vê.
É porque não me conhecem
assistem à TV
e envelhecem.
Tragédia
A caneta no papel,
o toque dos corpos,
o som dos corvos
o despertar do céu.
O lamento é dos sofridos.
Só enxergo gemidos.
Ensurdecedor é o drama humano,
sempre o mesmo com o passar dos anos.
Me traz amparo a tela do cinema.
-Não, não estou nessa cena.
O espetáculo em que atuo é outro,
nessa poltrona, ocupo meu posto.
Passou! é o momento dos agudos.
Meus olhos estão cansados, apenas escuto
a gravidade dos movimentos,
estamos todos atentos.
Tenho a certeza de que somos animais,
amamos demais.
E, sem mais, vamos vivendo
como quem no papel segue escrevendo.
o toque dos corpos,
o som dos corvos
o despertar do céu.
O lamento é dos sofridos.
Só enxergo gemidos.
Ensurdecedor é o drama humano,
sempre o mesmo com o passar dos anos.
Me traz amparo a tela do cinema.
-Não, não estou nessa cena.
O espetáculo em que atuo é outro,
nessa poltrona, ocupo meu posto.
Passou! é o momento dos agudos.
Meus olhos estão cansados, apenas escuto
a gravidade dos movimentos,
estamos todos atentos.
Tenho a certeza de que somos animais,
amamos demais.
E, sem mais, vamos vivendo
como quem no papel segue escrevendo.
Assinar:
Postagens (Atom)