quinta-feira, 31 de maio de 2012

Despedida

Tomei
minha derradeira taça
de Melancolia.

Brindei
ao gole final
das Desilusões.

Fumei
o último cigarro
de minhas Angustias

Me levantei.
Caminhei para a noite,
abri as asas
e voei.

O que é o amor?

É entrelinha
É tom intermediário
É olhar impronunciável
É sorriso fora de hora
É motivo
É ação
E razão de ser.

É o que o dicionário descreve,
mas não consegue explicar.
É o que o médico não prescreve,
mas deveria receitar.

Amor de jardim de Amor

Bem-te-vi
assim que me olhaste.
Sorri.
Beijaste uma flor
e, como prova de amor,
a mim entregaste.

Naquele momento
brotou um sentimento,
que com muito zelo
regamos e adubamos,
dia-após-dia, ano-após-ano...
tanto em ti quanto em mim.

Cotidianamente assistimos
florescer nosso jardim.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Carol

Carolina acordava todos os dias com aquele resquício do sono que ainda faltou ser dormido. Mas não se queixava. Desligava o despertador e se levantava.
Ainda entre sonhos que teimavam em continuar arrastava-se para o banheiro. Água, banho, café, roupa, café, notícias na TV, maquiagem, escova de dentes, chave, sapato, “eita o desodorante”, elevador, bom dia, constrangimento, espelho, carro, transito....trabalho.
Afogada na rotina, os dias passavam. E a noite era tão curta...Ou lia, ou assistia um filme, ou estudava, ou corria, ou arrumava a casa, ou...ou. “Tenho que dormir, amanhã acordo cedo”. Tantos “ous”, tantas escolhas e tão pouco tempo – pensava.
Foi  num dia qualquer, entre uma e outra escolha, checando o e-mail, olhando o vazio pela janela e escutando o noticiário da TV que Carolina parou de calçar o tênis e chorou.
Foi um choro inconsciente, da solidão escondida, do ar sufocante e da velocidade a que se sentia submetida.
Carolina tinha amigos, tinha família e todos gostavam dela. Achavam ela uma garota bem-sucedida, independente, inteligente, bonita. Uma mulher forte, de fibra, por isso mesmo não lhe chamavam Carol. Não tinha apelido, era apenas Carolina.
Chorou e não calçou mais o sapato. Ligou pra família e disse que era frágil. Falou pela primeira vez de tudo o que sentia, que também sofria, que estava cansada e que esse mundo de obrigações e correria mata. Falou para a mãe que queria cafuné, que queria deitar e não ficar de pé, que se sentia só, às vezes perdida, que de tantas “coisas” para fazer sumia.
A mãe lhe escutou e pela primeira vez lhe chamou de Carol. Conversaram como duas amigas  e Carol se sentiu muito querida.
Dormiu no chão, na sala, pensando em todos aqueles a quem amava, em todas as coisas de que gostava.  Acordou com a claridade do sol e fez o mesmo de sempre, só que com uma diferença...aproveitou cada momento, cada de repente.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Amargo

Mais um dia,
tudo igual,
desigual,
melancolia.

Acordo,
Trabalho,
como,
Autômato.

Dentro do café
Fumegante
Uma lágrima cai,
Adoçante.

Luar

Toda noite,
da janela,
do quadrado,
vejo ela
e recebo
encabulado
uma luz tonta,
que a meu quarto
arredonda.

Sabor

Mastiguei.
Ai como era doce...
Engoli.
digeri.
Mas continuei a sentir
o sabor das palavras que ouvi.