sexta-feira, 11 de maio de 2012

Do mistério segundo a coruja

Na falta da escuridão,
teve que procurar mistério...
em pleno verão.

Vôou por baixo do balão
quente que pendia do teto
e não caía no chão.

Correu o mundo...
Na claridade cegante do dia,
mergulhou fundo.

Ouviu do azul um pouco do tudo.
Apertou os olhos
e enxergou profundo.

Das coisas das naturezas
no mar, no céu, nas cidades,
sentiu tamanha beleza

Entre dores viventes, amores passantes
choros floridos, risos contidos,
viu que cada verso tinha seu reverso.

E, na luz dessa confusão,
pousou tranquila...
numa sombra sobre o chão.


-É...tudo fazia sentido...
em cada cor
há um mistério escondido.


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Labuta

Para fazer um poema
reflito sobre o tema,
Consulto muitas gramáticas,
teóricas, outras práticas.
Com cuspe colo o tijolo
e vou preparar o bolo.
Junto rima e cimento,
barro, caos, sentimento.
Rascunho com desespero,
mas nivelo com esmero.
As palavras são medidas,
calculadas e cozidas.
E, da massa resultante,
construo metricamente,
esse poema pensante.

só que depois desse esforço,
cansada de matemática,
paro de cozinhar.
Vou tomar uma no bar
e ver a vida passar.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Vôo noturno

Enquanto um dorme
O outro come
Aquele acorda
E esse mexe
Inquietos, vão aguentando
As horas de confinamento

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Fluidez

- Um pouco de água, por favor!
- .............................. - e foi.
- Um pouco de água, por favor!
- Tenho dinheiro não. - e foi.
- Um pouco de água, por favor!
- Água? tenho não. - e foi.
- Um pouco de água, por favor!
- Tome esse dinheiro e vá comprar.
- Não, obrigado. Eu só queria um pouco de água.

A história do menino colorido

Era um menino amarelo
que só
andava de chinelo.
Um dia, por acaso, andou descalço
e teve uma grande alegria.
Descobriu que não estava só
porque existia.

EspelhohlepsE

oipoc et osrevni oa.
num momento,
sotsopo somos
e idênticos.

envelheces,
oçehlevne.
morres,
oçenamrep.

segunda-feira, 23 de abril de 2012