sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Controle

Entre a parede,
o muro
e a cerca,
Fronteira.

Entre o condomínio,
o carro
e o campo de concentração,
Prisão.

Entre o relógio,
o chefe
e o salário,
Amargo.

Entre o que fui,
o que sou
e a ânsia,
Vigilância.

curta!

curta a ilusão
curta a razão
curta a dor
curta a alegria
curta a poesia
curta a vida!

sofá

sofá
so far
stars
a piscar
ar
respirar
sofá
so far...

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Areia Azul

Às vezes é preciso se afastar para se ver de perto.

Foi caminhando que cheguei à Areia Azul. Não lembro ao certo qual verão foi, mas era verão. Entre o céu e o mar, tudo era areia e suor. A areia para se embalar de céu, o suor para alimentar o mar.

Perdi às contas de quantos passos são necessários para conhecer Areia Azul inteira. Às vezes um, nenhum, mil, depende. Areia Azul se apresenta diferente para cada visitante. É que as areias estão sempre em movimento.

Areia Azul se localiza exatamente entre o que foi e o que pode vir a ser.  Lá o tempo é salgado. Seja noite, seja dia. Ora é seco, ora é molhado. Só que na areia é demorado e no mar passa apressado.

Em Areia Azul aprendi que o azul pode ser preenchido de várias formas e de várias cores. Pode ter peixe ou pássaro, ser branco ou ser laranja.... As areias me mostraram como não se repetem as ondas.

E as ondas carregaram minhas certezas, se foram na correnteza. 


Eu, nada a fazer, observei. 

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Novamente

Nas paredes manchadas por histórias,
Na ausência dos móveis da casa,
No ruído das lembranças que ficam...

Abro a janela...
O vento a varrer o apartamento.
A tinta a limpar os pensamentos.



Pela janela

Olho pela janela,
um arrepio
e o vento a passar.
Olho pela janela,
vem o frio
e o cheiro de terra molhada no ar.
Olho pela janela
os passarinhos
entre verde-claros a voar.
Olho pela janela
e o sol
a esquentar.
Olho pela janela,
mas mais um ano a passar...

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Vírus

Multiplicam-se como praga,
entranham-se na natureza,
sugando a vida, a riqueza.

Deixam atras de si um rastro,
percurso amargo
de um chorume ácido.

Ácido, como os percentuais dos homicídios
e os imperativos econômicos do capitalismo.

Ácido, como a erosão das entranhas das células,
dos corpos, da terra.

Ácido, como os esgotos-mares
as fumaças-nuvens e os trabalhos-ataúdes.

Parasita do planeta,
predador de todas as espécies,
vírus, metamorfoseado de mamífero.

Por um viés altruístico,
percebo nosso auto-extermínio.