Pode o acelerador de partículas
acelerar o tempo de nossas vidas?
Não quero viver o peso
de poder ser preso
por ter idéias contra-ditas
Duras que me vincam a testa,
que não é de ferro,
senão carne sangrenta
de um corpo censurado
na liberdade da ordem
e do pró-regresso
domingo, 15 de maio de 2016
quinta-feira, 10 de março de 2016
Famintos
Um pão envelhecido
com sabor de domingo
preenche esse buraco de
A água nunca é dada,
ora doce, ora amarga
sem fluir nesse rio de
Até o fruto, que de longe
se vê a cor e de onde,
incolor, cai do pé de...
com sabor de domingo
preenche esse buraco de
A água nunca é dada,
ora doce, ora amarga
sem fluir nesse rio de
Até o fruto, que de longe
se vê a cor e de onde,
incolor, cai do pé de...
Desordem
A fumaça do café
O cheiro de naftalina
Brigam por comida os pardais
Carros dobram na esquina...
Sobre as roupas, o catarro
O gato pula excitado
Crash!Praaaaa!Beeeeeeeep! wwwwwwhhhhoooooo!
Ai! Queimei a língua
O cheiro de naftalina
Brigam por comida os pardais
Carros dobram na esquina...
Sobre as roupas, o catarro
O gato pula excitado
Crash!Praaaaa!Beeeeeeeep! wwwwwwhhhhoooooo!
Ai! Queimei a língua
terça-feira, 17 de novembro de 2015
Canção do Exílio de Mariana
Minha terra tem Mariana
Onde morreu o Sabiá
Aves que ali gorjeavam,
padeceram de lamentar.
Nosso céu tem menos brilho,
Nossas várzeas zero flores
Nossos peixes já sem vida,
De nossa vida restam dores.
Em cismar sozinho, à noite
só tristeza encontro eu lá;
Minha terra tem Mariana,
Onde morreu o Sabiá.
Minha terra tem horrores,
Criminosos que não encontro cá.
Em cismar, sozinho, à noite
só tristeza encontro eu lá;
Minha terra tem Mariana,
Onde morreu o Sabiá.
Não permita, Deus, que o rio morra,
e que os bandidos se safem pra cá;
Que paguem atrás das grades
pelos crimes ambientais de lá;
Que um dia a vida volte,
e que volte o Sabiá.
Onde morreu o Sabiá
Aves que ali gorjeavam,
padeceram de lamentar.
Nosso céu tem menos brilho,
Nossas várzeas zero flores
Nossos peixes já sem vida,
De nossa vida restam dores.
Em cismar sozinho, à noite
só tristeza encontro eu lá;
Minha terra tem Mariana,
Onde morreu o Sabiá.
Minha terra tem horrores,
Criminosos que não encontro cá.
Em cismar, sozinho, à noite
só tristeza encontro eu lá;
Minha terra tem Mariana,
Onde morreu o Sabiá.
Não permita, Deus, que o rio morra,
e que os bandidos se safem pra cá;
Que paguem atrás das grades
pelos crimes ambientais de lá;
Que um dia a vida volte,
e que volte o Sabiá.
Saudade
Do sonho pueril,
Do paraíso infantil,
Do gosto da goiabada,
Da vida tão certa, tão dada.
De brincar no quintal
Do avô tão paternal,
Das tardes de Domingo,
Dos dias findos.
De andar no muro,
De ouvir um sussurro.
De comer jambo,
De falar "te amo".
De desperdiçar o tempo.
De desenhar com o vento.
Das nuvens engomadas,
Da vida soterrada.
Do rio que não verei,
do homem que não serei.
Da princesa que não fui,
Do rio que não flui.
Do fim da guerra,
De começar uma nova era.
Da crença no futuro,
Da luz no fim do túnel.
Do banho sem prazo,
Da vida sem atraso.
Do paraíso infantil,
Do gosto da goiabada,
Da vida tão certa, tão dada.
De brincar no quintal
Do avô tão paternal,
Das tardes de Domingo,
Dos dias findos.
De andar no muro,
De ouvir um sussurro.
De comer jambo,
De falar "te amo".
De desperdiçar o tempo.
De desenhar com o vento.
Das nuvens engomadas,
Da vida soterrada.
Do rio que não verei,
do homem que não serei.
Da princesa que não fui,
Do rio que não flui.
Do fim da guerra,
De começar uma nova era.
Da crença no futuro,
Da luz no fim do túnel.
Do banho sem prazo,
Da vida sem atraso.
Poema pros gatinhos
Em casa somos três
Eu, Valente e Amèlie.
Eu sou o menos humano
entre os que vivem aqui.
Até pareço gente.
Sou o mais racional,pense!
Sem rabo, ando ereto,
uso todo dia o cérebro.
Valente é aventureiro;
Amèlie, amor inteiro.
Vivem sempre o presente,
Vivem sempre o presente,
Respiram amor, sentem.
Rio Doce
A chuva que atormenta a porta,
A lama que soterra a horta.
O ar pesado de peixe morto,
Aorta entupida de desgosto.
O tempo preso neste Rio
Doce que jaz, sangra minério.
Na boca o vermelho, sou rio
e a mastigada dos impérios.
Pancadas à porta, um calafrio...
Rezo pela chuva e espero.
A lama que soterra a horta.
O ar pesado de peixe morto,
Aorta entupida de desgosto.
O tempo preso neste Rio
Doce que jaz, sangra minério.
Na boca o vermelho, sou rio
e a mastigada dos impérios.
Pancadas à porta, um calafrio...
Rezo pela chuva e espero.
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