sexta-feira, 24 de julho de 2015

Frustrações

Não quebrei o braço,
Não usei óculos,
Nem aparelho nos dentes.

Mas plantei semente,
que não vingou.
Mas comprei um óculos escuro,
que se arranhou.
Mas cortei o baço,
que não cicatrizou.

Balanço

Fecho os olhos,
Tomo impulso
E vou.

Eu avoo...

O cabelo ultrapassa o meu rosto.
Eu suo,
Eu sou.

Eu avoo...

Rio alto,
Eu salto,
Não volto,
Estou solto.

Eu avoo...

terça-feira, 14 de julho de 2015

Madrugadas de domingo

Ninguém sabe o prazer que sinto
de correr na madrugada dos domingos.
De primeiro, a ponte do Limoeiro, 
que de limão nunca vi,
apenas uma ou duas  prostitutas que fazem ponto alí.
E não posso me esquecer
os barquinhos coloridos de pesca,
para o dia não entristecer.

Sigo 'vuando' pelo Antigo,
sou dona da rua, só eu e meia dúzia de mendigos.
É verdade tem os noturnos das festas,
que esqueceram da hora da cinderela,
tropegos caminham pelas calçadas.
Me divirto, mas não digo nada.
Lembro que um dia já fui eu,
adeus passado, adeus!

Observo os casarios, os prédios modernos, o rio
o esgoto, o meio-fio
e a meia vida do mangue, de quem já foi mangue-town
e agora é asfalto e cimento.
Observo, mas não lamento.
A natureza a de cobrar a conta
Chego a outra ponta,
é a ponte giratória.

Onde giram as câmeras de segurança,
gira eu, gira você, giramos todos nessa dança
da musica que não escolhi pra tocar.
Rezo pelo avanço do mar.
só ele para limpar essa cidade,
devolver ao cais sua dignidade.
Iemanjá toma minha oferenda,
Te ofereço duas Torres Gêmeas!

Por medo do viaduto,
confio mais nos becos escuros,
respiro o cheiro de peixe, 
e dou a volta nos escombros de Santa Rita.
Retorno pela Martins de Barros
(devia ser proibido dar nome de gente a rua)
rua boa é rua da Aurora, da Alegria, da União
da Amizade, até a da Saudade...

Esqueço esse meu rancor,
quando vejo o Baobá meus olhos se enchem de amor.
Não pelo palácio da corrupção,
ou pelo teatro da hipocrisia,
mas pelas praças que se encontram presas,
pela Santa Izabel, uma dama de grande beleza
e pelo Liceu, meu colégio
tão meu!

Atravesso a última ponte do meu passeio
De um lado o Sol do outro minha casa
aos meus pés o Capibaribe
Minha ponte e suas irmãs,
meu cinema preferido.
Olinda, onde nasci
Aurora, onde vivo
Recife, o ar que respiro. 

















segunda-feira, 13 de julho de 2015

A mar e o Castelo

Sob minhas unhas, areia
É tarde e o pé afunda
A onda vem e me abraça
Danço cheia de graça
Me entrego de corpa e alma
Mil peixes batem palmas

No azul escuro da mar
Encontro a minha morada
Sento à sua calçada
Com tempo os templos
Humanos a desmoronar
É destino dos castelos vir a mar

É que  amores são vagas
noites  vem, dias vão
há quem sente, há quem não
Mas nos dias de tempestade
Fuja das ondas
Corra pra feliz cidade

Lá erguerás teu castelo
Viverás rodeado de espelhos
Paredes  a te proteger
Esse será o teu reino
Tudo nele será belo
Até a mar aparecer.

Por não dizer

Para cada emoção escondida,
uma palavra não dita,
um aperto no peito,
uma facada na alma.

A cada lágrima engolida,
um gosto ácido na saliva
A cada riso contido,
um olhar longe, no infinito.

Observo o espelho,
cicatrizes é o que vejo
sulcadas em meu rosto,
até o espelho está roto.

E os cabelos ficando branco,
sem o passar dos anos.
Estou envelhecendo
mais rápido que o tempo.









terça-feira, 30 de junho de 2015

Do Recife pro Sertão

Recife...

Da rua da Praia ao Estelita,
dos coqueiros ao azulejo,
do frevo ao sertanejo,

Contemplo a cultura que afunda nesse teu solo encharcado,
tuas palafitas de 32 andares,
que se erguem onde antes (a via) mares.

Saudoso o tempo
em que acreditava haver governo.
Hoje, despachantes de empreiteiros.

Ahh! a melodia de tuas buzinas
embala meus cochilos de motorista,
indiferenças em cada esquina.

Chineses e cabras da peste por todos os cantos. É a revolução!
interfones, smartphones e todos os ones 
ardem em brasa na fogueira de São João.

xote, maracatu e baião,
um último gole de esgoto e gasolina
navego rio acima...

"Vou voltar pro meu sertão"

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Enquanto (amarelo)

Enquanto

Observava as fotografias amarelas
de meu futuro noturno,
acendi uma vela.
É que luz da vela também é de espera.

Por ter parado de fumar,
não tive alternativas, só restou o ar
amarelo que inalo de meu corpo
estarei morto?

Que importa, se tenho a eternidade dessa hora.
Olho para o relógio e o tempo não passa.
passa-tempo-passa-e-nada
nesse amarelo silencioso.

Ou louco? na loucura
da nostalgia futura do que ainda não veio
nu-frio-nu-peso
desse amarelo espesso.