segunda-feira, 13 de julho de 2015

A mar e o Castelo

Sob minhas unhas, areia
É tarde e o pé afunda
A onda vem e me abraça
Danço cheia de graça
Me entrego de corpa e alma
Mil peixes batem palmas

No azul escuro da mar
Encontro a minha morada
Sento à sua calçada
Com tempo os templos
Humanos a desmoronar
É destino dos castelos vir a mar

É que  amores são vagas
noites  vem, dias vão
há quem sente, há quem não
Mas nos dias de tempestade
Fuja das ondas
Corra pra feliz cidade

Lá erguerás teu castelo
Viverás rodeado de espelhos
Paredes  a te proteger
Esse será o teu reino
Tudo nele será belo
Até a mar aparecer.

Por não dizer

Para cada emoção escondida,
uma palavra não dita,
um aperto no peito,
uma facada na alma.

A cada lágrima engolida,
um gosto ácido na saliva
A cada riso contido,
um olhar longe, no infinito.

Observo o espelho,
cicatrizes é o que vejo
sulcadas em meu rosto,
até o espelho está roto.

E os cabelos ficando branco,
sem o passar dos anos.
Estou envelhecendo
mais rápido que o tempo.









terça-feira, 30 de junho de 2015

Do Recife pro Sertão

Recife...

Da rua da Praia ao Estelita,
dos coqueiros ao azulejo,
do frevo ao sertanejo,

Contemplo a cultura que afunda nesse teu solo encharcado,
tuas palafitas de 32 andares,
que se erguem onde antes (a via) mares.

Saudoso o tempo
em que acreditava haver governo.
Hoje, despachantes de empreiteiros.

Ahh! a melodia de tuas buzinas
embala meus cochilos de motorista,
indiferenças em cada esquina.

Chineses e cabras da peste por todos os cantos. É a revolução!
interfones, smartphones e todos os ones 
ardem em brasa na fogueira de São João.

xote, maracatu e baião,
um último gole de esgoto e gasolina
navego rio acima...

"Vou voltar pro meu sertão"

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Enquanto (amarelo)

Enquanto

Observava as fotografias amarelas
de meu futuro noturno,
acendi uma vela.
É que luz da vela também é de espera.

Por ter parado de fumar,
não tive alternativas, só restou o ar
amarelo que inalo de meu corpo
estarei morto?

Que importa, se tenho a eternidade dessa hora.
Olho para o relógio e o tempo não passa.
passa-tempo-passa-e-nada
nesse amarelo silencioso.

Ou louco? na loucura
da nostalgia futura do que ainda não veio
nu-frio-nu-peso
desse amarelo espesso.









Sertão

De  tão ver sertão
aprendi a ser tão
tão ser que nem sertão.

Seco de tão graveto
Areia de tão poeira
Eras ser tão de espera

Minha pisada faz rachar o chão
Meu sopro faz acender o fogo
Meu choro faz germinar o broto

Passam os sóis...
Ser tão verde,
Que verde é a cor do ouro.

Acho rio acho riacho,
rio alto e avoo o sertão
de casaca de couro.





Desculpem-me os demais jogadores

Não tenho a missão
de ser feliz,
de obter sucesso
de casar
ou fazer sexo.

Desculpem-me os demais jogadores.
Mas para viver, nada disso é preciso.

Objetivos, metas, receitas, modelos, tabuleiros,
Dados, casas, cartas
ou parceiros de competição - ação -ação...

Todos iremos perder.

Não me interesso por seguir um roteiro para a felicidade...
Prefiro a despreocupação
de quem se senta as 5 da tarde
para contemplar o desassossego das últimas sombras da cidade.








Melancolia

A Melancolia que escreve meus textos voltou de suas longas férias.
Conheceu lugares, admirou paisagens, construiu imagens...
De companhia, apenas a Solidão.

Fingiu ter amigos e amores (de verdade),
Fingiu ainda ter a idade,
Fingiu até ser de outra cidade.

Rodou, rodou, rodou e voltou...

Dos químicos aos mitos, Tudo
é Simulação
A Verdade, como uma cebola.

Aprecio seu sabor...
Forte
que arde e alimenta.

E choro...

Me cosola a Solidão.
Só, rio.
Sinto enorme euforia por ter de volta a Melancolia.