sexta-feira, 12 de junho de 2015

Sertão

De  tão ver sertão
aprendi a ser tão
tão ser que nem sertão.

Seco de tão graveto
Areia de tão poeira
Eras ser tão de espera

Minha pisada faz rachar o chão
Meu sopro faz acender o fogo
Meu choro faz germinar o broto

Passam os sóis...
Ser tão verde,
Que verde é a cor do ouro.

Acho rio acho riacho,
rio alto e avoo o sertão
de casaca de couro.





Desculpem-me os demais jogadores

Não tenho a missão
de ser feliz,
de obter sucesso
de casar
ou fazer sexo.

Desculpem-me os demais jogadores.
Mas para viver, nada disso é preciso.

Objetivos, metas, receitas, modelos, tabuleiros,
Dados, casas, cartas
ou parceiros de competição - ação -ação...

Todos iremos perder.

Não me interesso por seguir um roteiro para a felicidade...
Prefiro a despreocupação
de quem se senta as 5 da tarde
para contemplar o desassossego das últimas sombras da cidade.








Melancolia

A Melancolia que escreve meus textos voltou de suas longas férias.
Conheceu lugares, admirou paisagens, construiu imagens...
De companhia, apenas a Solidão.

Fingiu ter amigos e amores (de verdade),
Fingiu ainda ter a idade,
Fingiu até ser de outra cidade.

Rodou, rodou, rodou e voltou...

Dos químicos aos mitos, Tudo
é Simulação
A Verdade, como uma cebola.

Aprecio seu sabor...
Forte
que arde e alimenta.

E choro...

Me cosola a Solidão.
Só, rio.
Sinto enorme euforia por ter de volta a Melancolia.

domingo, 12 de abril de 2015

A praia II

Tem uma praia
em outro planeta.
Uma praia secreta,
uma praia deserta,
uma praia que já foi cheia.

É lá onde o tempo descansa,
onde os sonhos adormecem
e onde o vento exibe sua dança.

mar que derruba a terra
Terra que vira pedra.
Pedra que vira areia
areia que retorna ao mar

Conto ao mar um segredo;
o vento vem e espalha pelos coqueiros.









domingo, 5 de abril de 2015

Deixa chover

Deixa chover
E que seja  a chuva derradeira.

Inunda todos os cantos dessa casa,
Leva as telhas, os moveis, o pó,
Não deixa sobrar nada.

Eu quero mais é reconstruir,
Inventar uma outra história
Para habitar aqui.

Entao, chove, chove, chove...

Até não sobrar nuvem,
Até o solo encharcar,
Até o sol raiar

E secar todo o excesso
E germinar vida da lama
e abrir os olhos de quem sonha.






sábado, 4 de abril de 2015

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Flor

Tão perto
que já não enxergava o branco,
a cegueira do excesso
dessa mente clara, racional.

As pétalas coloridas
de meu corpo
não conhecem a lógica
das combinações cromáticas socialmente aceitas.

Sinto as cores correrem em minhas veias.