quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Meditação

Todos bocejavam
em ritmo viciante,
lá fora a chuva, o vento,
aqui dentro a preguiça do pensamento.

E esse ar-condicionado gelado,
e a monotonia dessa voz sem cadência,
me mexo na cadeira
sem paciência.

Escuto o coro dos bocejos,
o mantra da palestra me desperta,
entro em estado meditativo
à espera...

sábado, 14 de setembro de 2013

vazia

O pé está no sapato
A perna se curva sobre a cadeira
A mão apoia o rosto
E o cotovelo sobre a mesa
Vazia

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Texto

Deixo-te interpretar meus textos,
apenas pelo desespero
de esperar,
na angustia
da esperança
de criança.

Leio-te
e defino teu destino,
libertador, aprisionador
não há escapatória para a
dor
de não ter.

Aquilo que nasce para outrem,
que sempre vai além
e volta
diferente,
modificado por outros olhares,
nem te reconhece.

Personagem

Sou o principal personagem
do site,
da televisão,
da revista,
do jornal,
da fotografia no chão.

Apanho
do chão,
do cotidiano,
do banal,
do racional,
do real,
da ficção.

E olho para mim mesmo,
esse personagem
representado no espelho.

Imagens

Enquanto a televisão
a mim assiste,
eu
assisto à televisão.

em sua tela,
estão passando
meus erros
cotidianos.

Desligo o aparelho,
um pouco de realidade,
abro a porta
e contemplo
as fotografias da cidade.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Agosto

À gosto de que
existe Agosto?

Não sei se é o
inverno
que aproxima esse mês do
inferno...
de repente é a
ventania
que varre toda
alegria...

Ao menos para mim,
Agosto nunca teve gosto,
nunca foi dez...
só des
des-ilusão
des-tempero
des-sabor
des-amor...

E à gosto
do desgosto
devorei agosto...

Só que hoje,
indigesto,
ainda arroto seus ventos...
levo
chuva e frio
dissipando
Setembro.






comprimido

estico
os dedos
os pés
as mãos
as pernas
os braços
e arrebento
o medo